sexta-feira, 6 de junho de 2025

Usina Hidrelétrica de Samuel -Hist. RO

 LINK 

https://gamma.app/docs/Usina-Hidreletrica-de-Samuel-ucqowwlxp03bqev

História de Rondônia – Prof. Adão Marcos |Graciano dos Santos

Usina Hidrelétrica Samuel: Um Olhar Sobre a Energia e Seus

Desafios em Rondônia

A Usina Hidrelétrica de Samuel, localizada no rio Jamari, um afluente do rio Madeira em Rondônia,

representa um marco significativo na história da geração de energia na região amazônica. Construída com o

objetivo de suprir a demanda energética do Sistema Acre-Rondônia, a usina, apesar de sua importância,

carrega consigo uma complexa bagagem de impactos ambientais e sociais, além de desafios em sua

operação.

História e Características:

A construção da UHE Samuel teve início em 1982, sob a responsabilidade da Eletronorte, com o barramento

do rio ocorrendo em 1988 e o início da operação comercial em 1989. Localizada a cerca de 52 km de Porto

Velho, no município de Candeias do Jamari, a usina foi erguida sobre a primeira corredeira mais à jusante

do rio Jamari.

Com uma potência instalada de 216 MW, a usina possui um reservatório que, em sua cota máxima, atinge

uma área de 579 km² e uma profundidade média de 5,8 metros, armazenando cerca de 3,2 bilhões de m³ de

água. Para a formação desse lago, foi necessário construir um dique de 57 km de extensão em cada margem

do rio, dado que o Jamari não possuía uma bacia acentuada naturalmente. A usina conta com cinco unidades

geradoras, com um transformador para cada uma, além de um transformador reserva.

A energia gerada por Samuel é transmitida através de linhas de 230 kV para cidades rondonienses como

Guajará-Mirim, Ariquemes, Ji-Paraná, Pimenta Bueno, Vilhena, Abunã e Porto Velho, e desde 2002,

também abastece a capital do Acre, Rio Branco.

Impactos Ambientais e Sociais:

A construção da UHE Samuel, como muitas grandes obras de infraestrutura na Amazônia, não esteve isenta

de consequências significativas. A formação do reservatório inundou milhares de hectares, alterando

drasticamente o ecossistema local. A decomposição da biomassa submersa libera gases de efeito estufa,

como o CO₂, contribuindo para as mudanças climáticas. Além disso, a Usina de Samuel é citada como um

caso onde o nível do reservatório pode baixar significativamente, chegando a até 14 metros em certos

períodos, expondo grandes áreas que se tornam fontes de gás metano.

Os impactos sociais também foram profundos. Milhares de famílias que viviam às margens do rio Jamari

foram afetadas, sendo muitas delas desalojadas e realocadas em novas áreas, como a Vila de Candeias. Há

uma dívida social histórica com essas comunidades, com muitas famílias ainda sem reassentamento

adequado e enfrentando problemas como falta ou baixa qualidade de energia elétrica, problemas de

saneamento devido à elevação do lençol freático e falta de infraestrutura para a produção agrícola. A luta por

compensações e direitos básicos perdura há décadas, com mobilizações e reivindicações por parte dos

atingidos. Um exemplo notável é a conquista da construção de uma ponte ligando a cidade de Itapuã do

Oeste à zona rural, um pleito de quase três décadas.

Impactos Ambientais:

 Desmatamento e Emissões de Gases: A formação do reservatório de 560 km² resultou na

inundação de extensas áreas de floresta. A decomposição da biomassa submersa liberou grandes

quantidades de gases de efeito estufa, como metano e dióxido de carbono, superando as emissões de

uma usina termelétrica de capacidade equivalente nos primeiros anos de operação .


 Alterações na Ictiofauna: Estudos indicam uma redução na diversidade de espécies de peixes no

reservatório, com aumento de espécies como piranha-preta (Serrasalmus rhombeus) e tucunaré

(Cichla monoculus), e diminuição de espécies detritívoras e frugívoras . Impactos Sociais:

 Deslocamento de Populações: Cerca de 238 famílias foram deslocadas devido à construção da

usina. Muitas enfrentaram dificuldades no reassentamento, com falta de infraestrutura básica, como

energia elétrica e saneamento, especialmente nas áreas de Itapuã do Oeste e Candeias do Jamari

 Mobilizações e Reivindicações: Movimentos sociais, como o Movimento dos Atingidos por

Barragens (MAB), têm atuado na defesa dos direitos das populações afetadas, buscando

compensações adequadas e melhorias nas condições de vida dessas comunidades . Medidas

Compensatórias:

 Estação Ecológica Samuel: Como forma de compensação ambiental, foi criada a Estação Ecológica

Samuel, com área de 71.061 hectares, visando à preservação da biodiversidade local e à mitigação

dos impactos ambientais causados pela usina

Desafios e Considerações:

A Usina de Samuel, apesar de sua importância para o desenvolvimento energético de Rondônia, é por vezes

considerada um dos maiores erros de engenharia no Brasil no século XX, devido ao seu custo-benefício e

aos impactos ambientais e sociais gerados. A necessidade de licenças ambientais na época de sua construção

era menos rigorosa, o que contribuiu para as consequências observadas.

No entanto, a usina foi crucial para superar o histórico de apagões e a falta de energia na região,

contribuindo para o processo de desenvolvimento do estado. A Eletronorte continua a investir na

modernização dos equipamentos da usina para otimizar sua operação e garantir a geração de energia segura

e confiável.

A Usina Hidrelétrica Samuel é um exemplo complexo da interação entre desenvolvimento, energia e meio

ambiente na Amazônia. Sua história é um lembrete constante da necessidade de planejamento rigoroso,

consideração dos impactos socioambientais e diálogo contínuo com as comunidades afetadas em projetos de

grande porte.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.

3º A GEOGRAFIA

 LINK 01 https://wayground.com/join?gc=47380830 LINK 02 https://wordwall.net/pt/resource/109949112