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Lic. em Ciências Físicas e Biológicas/Especialização em Ciências Sociais com Ênfase em Historia,Geografia e Educação Ambiental - amgs11@gmail.com /WhatsApp (69) 984141042
terça-feira, 10 de junho de 2025
sexta-feira, 6 de junho de 2025
SIMULADO -Agroecologia: Agricultura Sustentável -
SIMULADO
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SIMULADO II
https://wordwall.net/play/93354/246/714
SIMULADO III
Usina Hidrelétrica de Samuel -Hist. RO
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https://gamma.app/docs/Usina-Hidreletrica-de-Samuel-ucqowwlxp03bqev
História de Rondônia – Prof. Adão Marcos |Graciano dos Santos
Usina Hidrelétrica Samuel: Um Olhar Sobre a Energia e Seus
Desafios em Rondônia
A Usina Hidrelétrica de Samuel, localizada no rio Jamari, um afluente do rio Madeira em Rondônia,
representa um marco significativo na história da geração de energia na região amazônica. Construída com o
objetivo de suprir a demanda energética do Sistema Acre-Rondônia, a usina, apesar de sua importância,
carrega consigo uma complexa bagagem de impactos ambientais e sociais, além de desafios em sua
operação.
História e Características:
A construção da UHE Samuel teve início em 1982, sob a responsabilidade da Eletronorte, com o barramento
do rio ocorrendo em 1988 e o início da operação comercial em 1989. Localizada a cerca de 52 km de Porto
Velho, no município de Candeias do Jamari, a usina foi erguida sobre a primeira corredeira mais à jusante
do rio Jamari.
Com uma potência instalada de 216 MW, a usina possui um reservatório que, em sua cota máxima, atinge
uma área de 579 km² e uma profundidade média de 5,8 metros, armazenando cerca de 3,2 bilhões de m³ de
água. Para a formação desse lago, foi necessário construir um dique de 57 km de extensão em cada margem
do rio, dado que o Jamari não possuía uma bacia acentuada naturalmente. A usina conta com cinco unidades
geradoras, com um transformador para cada uma, além de um transformador reserva.
A energia gerada por Samuel é transmitida através de linhas de 230 kV para cidades rondonienses como
Guajará-Mirim, Ariquemes, Ji-Paraná, Pimenta Bueno, Vilhena, Abunã e Porto Velho, e desde 2002,
também abastece a capital do Acre, Rio Branco.
Impactos Ambientais e Sociais:
A construção da UHE Samuel, como muitas grandes obras de infraestrutura na Amazônia, não esteve isenta
de consequências significativas. A formação do reservatório inundou milhares de hectares, alterando
drasticamente o ecossistema local. A decomposição da biomassa submersa libera gases de efeito estufa,
como o CO₂, contribuindo para as mudanças climáticas. Além disso, a Usina de Samuel é citada como um
caso onde o nível do reservatório pode baixar significativamente, chegando a até 14 metros em certos
períodos, expondo grandes áreas que se tornam fontes de gás metano.
Os impactos sociais também foram profundos. Milhares de famílias que viviam às margens do rio Jamari
foram afetadas, sendo muitas delas desalojadas e realocadas em novas áreas, como a Vila de Candeias. Há
uma dívida social histórica com essas comunidades, com muitas famílias ainda sem reassentamento
adequado e enfrentando problemas como falta ou baixa qualidade de energia elétrica, problemas de
saneamento devido à elevação do lençol freático e falta de infraestrutura para a produção agrícola. A luta por
compensações e direitos básicos perdura há décadas, com mobilizações e reivindicações por parte dos
atingidos. Um exemplo notável é a conquista da construção de uma ponte ligando a cidade de Itapuã do
Oeste à zona rural, um pleito de quase três décadas.
Impactos Ambientais:
Desmatamento e Emissões de Gases: A formação do reservatório de 560 km² resultou na
inundação de extensas áreas de floresta. A decomposição da biomassa submersa liberou grandes
quantidades de gases de efeito estufa, como metano e dióxido de carbono, superando as emissões de
uma usina termelétrica de capacidade equivalente nos primeiros anos de operação .
Alterações na Ictiofauna: Estudos indicam uma redução na diversidade de espécies de peixes no
reservatório, com aumento de espécies como piranha-preta (Serrasalmus rhombeus) e tucunaré
(Cichla monoculus), e diminuição de espécies detritívoras e frugívoras . Impactos Sociais:
Deslocamento de Populações: Cerca de 238 famílias foram deslocadas devido à construção da
usina. Muitas enfrentaram dificuldades no reassentamento, com falta de infraestrutura básica, como
energia elétrica e saneamento, especialmente nas áreas de Itapuã do Oeste e Candeias do Jamari
Mobilizações e Reivindicações: Movimentos sociais, como o Movimento dos Atingidos por
Barragens (MAB), têm atuado na defesa dos direitos das populações afetadas, buscando
compensações adequadas e melhorias nas condições de vida dessas comunidades . Medidas
Compensatórias:
Estação Ecológica Samuel: Como forma de compensação ambiental, foi criada a Estação Ecológica
Samuel, com área de 71.061 hectares, visando à preservação da biodiversidade local e à mitigação
dos impactos ambientais causados pela usina
Desafios e Considerações:
A Usina de Samuel, apesar de sua importância para o desenvolvimento energético de Rondônia, é por vezes
considerada um dos maiores erros de engenharia no Brasil no século XX, devido ao seu custo-benefício e
aos impactos ambientais e sociais gerados. A necessidade de licenças ambientais na época de sua construção
era menos rigorosa, o que contribuiu para as consequências observadas.
No entanto, a usina foi crucial para superar o histórico de apagões e a falta de energia na região,
contribuindo para o processo de desenvolvimento do estado. A Eletronorte continua a investir na
modernização dos equipamentos da usina para otimizar sua operação e garantir a geração de energia segura
e confiável.
A Usina Hidrelétrica Samuel é um exemplo complexo da interação entre desenvolvimento, energia e meio
ambiente na Amazônia. Sua história é um lembrete constante da necessidade de planejamento rigoroso,
consideração dos impactos socioambientais e diálogo contínuo com as comunidades afetadas em projetos de
grande porte.
quarta-feira, 4 de junho de 2025
3º A GEOGRAFIA
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